Voa, calopsita!

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É quase que regra geral. Quem fala demais dá bom dia a cavalo. E o mais chato é saber que você tem me feito mal. Sabe quando você se sente a pior pessoa do mundo? Cansei de lutar, pelo menos agora. Pelo menos essa semana. Eu não vou ajudar você da forma que sempre ajudei. Vou entrar por aquela porta e vou desaparecer. É só entrar pelo guarda-roupa que logo me aparece um mundo novo (vi isso em um filme). Desculpa se cada passo é um erro, mas preciso desse tempo. Lembra quando você era a menina mais bonita da escola e todos a odiavam simplesmente porque você era a mais bonita? Eu cansei de você, da sua beleza incompreensível. Como pode dar certo? Como poderei sobreviver ao que você me fez? Ninguém pode passar por isso sem antes sentir o coração despedaçado, desmascarado, encrencado. Desculpa novamente se não rola, se não embola. Acabou a liga. Estranho um homem falar assim, não é? Mas você é quem deveria ouvir cada reclamação minha, porque foi você quem decidiu, por conta própria, juntar suas coisas e desaparecer. Que bobeira. Ficou sem mim, por completo. É estranho refazer seus passos e saber que isso tinha mesmo que acontecer. Vai, vai por essa porta agora. Mas por favor me deixe entrar pela porta do guarda-roupa, pois estou em busca da terra maravilhosa, encantada, de leões e feiticeiras. Preciso sentir cada segundo de um mundo que ainda não vivi. Preciso não me preocupar com cada passo desembrenhado, cada palavra que digo e não sei o que significa. Cada eu que não suporto. Vai, leva suas coisas, sua organização sem limites. Seus espaços. Sua vida. Leva tudo para longe do que um dia eu fui quando estava com você. Só não leva o Elvis, minha ave querida calopsita apaixonada por ventos que entram pela janela. Um desabafo, somente. Sweet cherrie... vá, voe, ame. Faça tudo que não fez comigo.

Post também publicado na Sessão Descarrego.

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